NÓS SOMOS BURROS, IDIOTAS OU PALHAÇOS?
A GASOLIA vai, já, já, para R$3,00 o litro. E nós vamos permitir, de cabeça baixa, sem qualquer reação? Somos apenas os palhaços a serviço do dono do circo?
No Paraguai, nosso vizinho, não existe poços de petróleo e a gasolina de lá custa R$1,45 o litro. Na Venezuela, também aqui pertinho, que é, como o Brasil, autossuficiente em petróleo, o litro de gasolina custa R$0,11. SIM, MEUS AMIGOS! ONZE CENTAVOS!
Nós, que esbanjamos petróleo, estamos pagando quase R$3,00 por litro. Por quê?
Sabe não? Pois saiba agora!
O único modo que fará o preço da gasolina baixar ou, pelos menos, parar de subir, é deixarmos de comprar a gasolina deles. Mas como? E vamos andar sem gasolina? Os tolos perguntarão. Deixando de comprar a gasolina de uma das distribuidoras, eles, que trabalham sob uma organização criminosa chamada cartel, com permissão dos olhos cegos da Justiça, hão de dar seu jeito. Não vão deixar uma delas ir à falência. É um meio lícito, inteligente, pacífico e eficaz.
Deixando de abastecer nos postos da distribuidora BR, ela terá que cobrar preços justos, de acordo com o custo da produção, forçando uma guerra de preços entre elas, ou vai fechar também a que não baixar os preços com ela. Em menos de um trimestre a gente verá o resultado. Cita-se a BR, por ser a mais importante da Petrobrás que não se envergonha de cobrar, dos consumidores, o mesmo preço que cobrava quando o barril de petróleo custava, para ela, l50 dólares. Hoje o barril de petróleo está custando menos de 50 dólares e o preço do litro de gasolina é o mesmo para o consumidor brasileiro. É um fato não apenas revoltante, mas criminoso que não podemos mais aceitar. Mesmo quem não usa gasolina, deve associar-se.
A nossa idéia começou com 30 pessoas. Se cada uma delas acrescentar mais 10, e cada um dos novos conseguir a adesão de, pelos menos, mais 10, já contaremos com 3.000 que, se repetirão, e não custaremos a alcançar 3 mil, que multiplicando-se sucessivamente por 10, chegaremos a 30 milhões de brasileiros que deixarão de ser vítimas desse assalto.
Não vemos outro meio. Já fomos aos jornais, já pedimos socorro, já apelamos para os políticos e quase todos os meios ao nosso alcance, sem resultado.
Se baixar o preço da gasolina, e a inflação continuar como está, até que suportaremos o preço da carne, do frango e do feijão, que, mais tarde, poderão entrar na mesma jogada.
Depende apenas da força da união e da solidariedade como a Globo faz com o projeto CRIANÇA ESPERANÇA.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
REFLEXÃO SOBRE AS ELEIÇÕES 2008

Faço chegar aos lutadores (as) do semi-árido a leitura resumida que encaminhei a nível de semi-árido brasileiro(11 estados) sobre as eleições 2008. Segue abaixo minha humilde reflexão:
Não só na minha região, mas em todo o estado e, avalio que no Brasil como um todo, com raríssimas exceções, as eleições 2008 não passou da mesmice, com vitória esmagadora da direita e derrota gigantesca da esquerda.
Foi uma eleição a moda neoliberal, pragmática, endinheirada, corrupta, despolitizada e voltada pra um discurso gerencial, administrativo, obreiro, negando princípios, valores e com total ausência de projetos políticos que assumam compromissos com uma nova realidade pautada na justiça, igualdade e sustentabilidade, que priorizasse os anseios populares e participação orgânica dos trabalhadores (as) na gestão pública municipal.
Os grandes vitoriosos aqui e em todo brasil foi a base direitista do governo federal, incluindo o PT que abandonou a militância e agora contratam exércitos de cabos eleitorais, utilizando-se da mesma prática política dos caciques, coronéis e oligarquias,que alías, são seus aliados. Em todo o Brasil o governo lula e o PT ajudarão a eleger e revitalizar forças políticas conservadoras, retrógadas e a serviço do velho e assino modelo, tão denunciado antes pelo próprio PT.
O modo capitalista de produção que promove violência, crises econômicas e injustiças sociais aqui e em todo lugar sai fortalecido com as eleições municipais apesar da atual crise financeira mundial onde mostra o fracasso da lógica do livre mercado. Os prefeitos eleitos somarão com os governos estaduais e federal no corte de recursos para os setores da educação, saúde, meio ambiente, moradia, reforma agrária, agricultura familiar...etc e, justificarão a necessidade destes cortes, inclusive para o setor produtivo dos trabalhadores(as) para atender e salvar banco falido e todo sistema financeiro. Quem têm dúvida e pensa o contrário se manifeste?
Independentemente do resultado eleitoral, os movimento sociais brasileiros precisam retomar os trabalhos de base para organizar e elevar o nível de consciência social, política e cultural do nosso povo, formando militantes e quadros em todos os movimentos para as longas jornadas e tarefas que virão. No cotidiano das caminhadas precisamos recuperar os valores da prática política que fazem parte da luta histórica dos trabalhadores, como a solidariedade, companheirismo, o espírito de sacrifício, amor ao estudo e dedicação ao povo. Só será possível retomar os processos de mobilização e luta social se formos capazes de construir espaços de lutas unitários, que articulem experiência e intercâmbio de conhecimentos, e respeito às diversidades.
Neste contexto, há um debate dentro dos movimentos sociais sobre os rumos que deveremos tomar. Uma leitura aponta para o esgotamento da chamada democracia representativa, que devemos conquistar a democracia direta e participativa, com a convicção de que as eleições e o voto, por si só, não mudam a vida do povo, e que o poder institucional estatal é incapaz de realizar as reformas necessárias. Neste sentido, a tarefa maior é organizar o movimento popular, realizar formação política e buscar autonomia dos movimentos sociais frente aos partidos e ao governo. Uma outra visão entende que é ilusório fazer as transformações que desejamos sem participar das lutas institucionais, do calendário eleitoral e da ocupação de espaços junto ao poder. Este posicionamento afirma que não é possível um outro mundo sem o papel do Estado, do poder e da representação política. Este é um dilema de concepção e de rumo que os movimentos sociais precisam resolver, sem, no entanto, abdicarem da resistência à mundialização neoliberal.
Abraços Ecossocialista
Autor do Texto: Procópio Lucena
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
BERADEIRO DE CARNAUBAIS É DESTAQUE EM SÃO PAULO

CEAGESP e SINCAESP comemoram centenário da imigração japonesa
Deputado Walter Ihoshi foi um dos convidados de honra do evento
A CEAGESP e o SINCAESP " Sindicato dos Comerciantes Atacadistas do Estado de São Paulo realizaram, nos dias 20 e 21 de setembro, no Entreposto da Capital, uma festa em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil. Na ocasião, os organizadores do evento homenagearam com placas de prata comerciantes e produtores agrícolas da colônia japonesa que construíram a história do setor. O deputado federal Walter Ihoshi foi um dos convidados de honra do evento.
O presidente da CEAGESP, Rubens Boffino, ressaltou que a colônia japonesa participou decisivamente do desenvolvimento da agricultura e do abastecimento no País. "A CEAGESP, em particular, deve muito ao trabalho, à disciplina e à preocupação com o a qualidade dos alimentos de pioneiros que, nos anos 60, iniciaram no entreposto suas atividades, depositaram aqui suas esperanças e tiraram o sustento para suas famílias. Hoje, a colônia, que hoje representa 30% dos comerciantes dos Entrepostos da Capital, traz um exemplo raro de integração com os brasileiros, assimilando hábitos e costumes da nossa terra".
Já o presidente do SINCAESP, ROBSON CORINGA, ressaltou que Brasil e Japão celebram a aliança de dois países que se uniram com culturas diferentes, mas com laços muito fortes. "E os dois se beneficiaram com a imigração. Nós oferecemos a possibilidade de um recomeço e os japoneses nos trouxeram sua cultura, marcada pela honestidade, disciplina, determinação e trabalho", disse.
O deputado Walter Ihoshi também se pronunciou, parabenizando a todos os produtores, fornecedores e comerciantes, sobretudo aos nipo-brasileiros, pelo excelente trabalho realizado, diariamente, durante todos esses anos.
Apresentações de dança, de tambores, de artes marciais, shows de cantores, karaokê foram algumas das atrações que encantaram o público presente durante todo o final de semana.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
SERIDÓNISMO

Gostaria de ser do Seridó pelo menos não seria um caduco cultivador da poética varzeana.
Gostaria de ser do Seridó com muito atrevimento, dizer aos sedentos desta procela agropecuarista que, o chão vai ficar preto se não cessarem a morte do bioma caatinga.
Gostaria de ser do Seridó desses bem metido a besta, chamar de nação com muito orgulho o meu chão de aluviões que adentra as carnaúbas.
Gostaria de ser do Seridó como foi meu avô e minha avó, erguer as mãos com a bandeira como faz os ambientalistas.
Gostaria de ser do Seridó, ser o protótipo de Procópio Lucena, ter na identidade a fotografia sertaneja, ser brocoió, ser de peia, do mato, do matulão, das minas, das cabroeiras, do Royal Cinema tocada na Praça de Jardim pela banda de Cruzeta.
Gostaria de ser do Seridó, ser uma gota serena, seriema, caatingueira, jurema e pau de angico, sem ter medo de salgar o próprio couro, manta de bode pendurada num galho de cajazeira.
Gostaria de ser do Seridó e cantar feito gavião peneira na cumeeira da Serra de Santana.
Gostaria de ser do Seridó e ser da gema, protegido pela santa padroeira.
Gostaria de ser do Seridó, ou melhor, vaqueiro dos pés rachados lá das malocas de Parelhas.
Gostaria de ser do Seridó desses que macho nenhum bota boneco, a não ser as donzelas das ruas de São José.
Gostaria de ser, mas o que seria se não fosse das terras da poesia.
Eu seria com certeza defensor de toda beleza das serras do Caicó.
Zelito Coringa – 05/06/08
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Os carrascos fazem a história do Brasil
OS CARRASCOS FAZEM A HISTÓRIA DO BRASL
Gilberto Freire de Melo
Um democrata
Se procurarmos conhecer a História do Brasil, pelo menos a de nossa geração, deparamo-nos com aquela versão da rua do Recife que tem um único lado. A rua da Aurora. Não é que a história tenha andado apenas por um lado. É que existe um lado contado pelos carrascos que incendiaram o outro lado – a história das vítimas.
Quem conviveu com os fatos da recente ditadura política ocorrida no Brasil, sabe de alguma coisa e tem confirmado em depoimentos pessoais. Alguns publicados, porém poucos.
Todos sabemos que o regime militar, para não fugir à regra, fraudava atos e fatos que configurava como história. Por exemplo: A bomba do Rio Centro, no Rio de Janeiro e a do aeroporto dos Guararapes, no Recife. Todos sabem e alguém já teve a coragem de provar, que as duas ocorrências foram fraudulentas. Que não foram produzidas por esquerdistas ou por adversários do regime. A do Rio de Janeiro já foi confirmada pelas próprias investigações que não tiveram as necessárias divulgações. E a do Recife que sequer foi investigada, bem parecidinha com a do Rio de Janeiro – quem sabe? – de idêntica autoria, teve todas as características de uma farsa sem qualquer técnica sigilosa de manipulação.
Alguém se lembra? Era a manhã de 25 de julho (quase era a data da queda da Bastilha!) de 1966. Esperava-se a chegada do General Costa e Silva, candidato único e temporário (era praxe ser ditador temporário!) em substituição ao outro, o General Castelo Branco, também vítima de acidente fatal – como eram constantes os acidentes nesse período! – e o aeroporto estava mais ou menos lotado. Só que, para dar tempo à consumação do artefato, o avião de Costa e Silva pousou em João Pessoa, sob alegação de uma pane que não foi confirmada. Resultado: a bomba explodiu antes do tempo, o general chegou depois e o Pastor Machado que chegava de Natal e não era islamita – era evangélico – pagou o pato. Imagine o que não deve ter passado, nos quartéis da ditadura, um “terrorista preso em flagrante”, acusado de haver atentado contra a vida do general candidato a ditador! Eu não queria, nem de longe, estar na pele dele.
Pois bem, senhores: o artefato explodiu fora de tempo. O Secretário de Segurança de Pernambuco perdeu os dedos da mão, o jornalista Edson Régis de Carvalho e o almirante da reserva, Nelson Gomes Fernandes foram sacrificados. Ninguém viu as certidões de óbito. Alguns feridos e preso o Pastor Machado que, a serviço dos correios de que era inspetor em Natal, com a culpa de haver sido o autor do atentado que não era, nem de longe, endereçado a Costa e Silva. Para tanto, já se tinha providenciado uma pane fictícia do avião da FAB em João Pessoa.
Machado pagou uma caríssima pena por essa farsa. Até que morreu precocemente, depois de demitido da Empresa de Correios, de proibido de assumir o cargo de professor da UFRN, após concurso público e de percorrer as várias e diversificadas sessões de tortura que importavam do Panamá, através de cursos e graduações na Escuela de Las Amérias. especialista em técnicas de tortura.
Hoje, a Comissão de Anistia Itinerante, instalada em Natal, traz a notícia do indeferimento do pedido de reparação feito por sua inditosa viúva, D. Eunice Lessa Machado.
Gilberto Freire de Melo
Um democrata
Se procurarmos conhecer a História do Brasil, pelo menos a de nossa geração, deparamo-nos com aquela versão da rua do Recife que tem um único lado. A rua da Aurora. Não é que a história tenha andado apenas por um lado. É que existe um lado contado pelos carrascos que incendiaram o outro lado – a história das vítimas.
Quem conviveu com os fatos da recente ditadura política ocorrida no Brasil, sabe de alguma coisa e tem confirmado em depoimentos pessoais. Alguns publicados, porém poucos.
Todos sabemos que o regime militar, para não fugir à regra, fraudava atos e fatos que configurava como história. Por exemplo: A bomba do Rio Centro, no Rio de Janeiro e a do aeroporto dos Guararapes, no Recife. Todos sabem e alguém já teve a coragem de provar, que as duas ocorrências foram fraudulentas. Que não foram produzidas por esquerdistas ou por adversários do regime. A do Rio de Janeiro já foi confirmada pelas próprias investigações que não tiveram as necessárias divulgações. E a do Recife que sequer foi investigada, bem parecidinha com a do Rio de Janeiro – quem sabe? – de idêntica autoria, teve todas as características de uma farsa sem qualquer técnica sigilosa de manipulação.
Alguém se lembra? Era a manhã de 25 de julho (quase era a data da queda da Bastilha!) de 1966. Esperava-se a chegada do General Costa e Silva, candidato único e temporário (era praxe ser ditador temporário!) em substituição ao outro, o General Castelo Branco, também vítima de acidente fatal – como eram constantes os acidentes nesse período! – e o aeroporto estava mais ou menos lotado. Só que, para dar tempo à consumação do artefato, o avião de Costa e Silva pousou em João Pessoa, sob alegação de uma pane que não foi confirmada. Resultado: a bomba explodiu antes do tempo, o general chegou depois e o Pastor Machado que chegava de Natal e não era islamita – era evangélico – pagou o pato. Imagine o que não deve ter passado, nos quartéis da ditadura, um “terrorista preso em flagrante”, acusado de haver atentado contra a vida do general candidato a ditador! Eu não queria, nem de longe, estar na pele dele.
Pois bem, senhores: o artefato explodiu fora de tempo. O Secretário de Segurança de Pernambuco perdeu os dedos da mão, o jornalista Edson Régis de Carvalho e o almirante da reserva, Nelson Gomes Fernandes foram sacrificados. Ninguém viu as certidões de óbito. Alguns feridos e preso o Pastor Machado que, a serviço dos correios de que era inspetor em Natal, com a culpa de haver sido o autor do atentado que não era, nem de longe, endereçado a Costa e Silva. Para tanto, já se tinha providenciado uma pane fictícia do avião da FAB em João Pessoa.
Machado pagou uma caríssima pena por essa farsa. Até que morreu precocemente, depois de demitido da Empresa de Correios, de proibido de assumir o cargo de professor da UFRN, após concurso público e de percorrer as várias e diversificadas sessões de tortura que importavam do Panamá, através de cursos e graduações na Escuela de Las Amérias. especialista em técnicas de tortura.
Hoje, a Comissão de Anistia Itinerante, instalada em Natal, traz a notícia do indeferimento do pedido de reparação feito por sua inditosa viúva, D. Eunice Lessa Machado.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
A PRISÃO DE CAPUXU
Capuxu era um cidadão oriundo das bandas de Sacramento, atual município de Ipanguaçu, mais precisamente da Lagoa de Ponta Grande. Chamava-se Manoel e chegou em Pendência de Cima, ainda garoto, com a mãe viúva, conhecida por Maria da Quixabeira, e mais três irmãos chamados João, Lucília e Severina. João sustentava a família, enquanto viveu pois teve falecimento precoce. Lucília era da congregação Mariana e não perdia os eventos religiosos, nas quatro festas do ano, quando se paramentava com aquele vestido branco e a fita azul no pescoço, para as missas e novenários lá na rua, como era por todos denominada a Pendência de Baixo, na Igreja de São João Batista.
Capuxu, carinhosamente tratado assim por sua mãe que o chamava solenemente de Manué, ganhou o honroso apelido por extensão de um ricaço chamado Manoel Capuxu, senhor de terras e comedor das cabocas lá das bandas do sítio Tira Fogo, nas proximidades de Ponta Grande, em Sacramento como já foi dito. Severina, a mais nova, além de vestir-se e higienizar-se mal, tinha alguns parafusos frouxos e não tinha qualquer habilidade profissional que lhe ensejasse o corriqueiro ganha-pão. Tanto assim que, após o desaparecimento dos familiares, que duraram pouco, e de um acasalamento meio desastrado, o único dos três irmãos, apesar da (ou devido a ?) insanidade, passou a viver da generosidade dos vizinhos.
Não tinham outra referência nem ostentavam talento ou conduta que os elevasse a destaque na comunidade. Os minguados recursos que lhes davam sustentação alimentar não tinham a garantia diária, vez que, não encontrando trabalho braçal avulso permanente, Capuxu, cujas mínimas habilidades aliadas a uma coragem igualmente desalentada, não propiciavam ao nosso herói maiores resultados financeiros. E quando, em algumas noites, não muito raras, ouvíamos aquele vozeirão de Capuxu, entoando canções cujas letras e melodias eram apenas e exclusivas de sua lavra, só conhecidas por ele, a vizinhança comentava.
- Ele hoje não teve o que jantar.
E era visto por quem passasse por aquela choupana coberta de palhas e de paredes meio esburacadas, numa varanda ou alpendre rústico, adaptado em um cômodo da frente da casa, embalando-se em sua rede, a cantar, a todo o volume, aquelas canções – quem sabe? – improvisadas ou ditadas pelo estômago vazio, que de tudo é capaz.
Já lá se ia a década de 40. E não eram muito raras as vezes em que Capuxu não tinha o que jantar. Ocorreu, porém um dia em que ele não teve também o que almoçar e, por conta disso, deu-lhe uma crise de revolta, de valentia, de quase desespero. Num ataque de delírio, deu de mão de um facão e, aos gritos, cortava os ramos dos arbustos existentes em frente a sua casa, pulando e cortando, parecendo um louco. Essa ação estimulou algum dos vizinhos a avisar o Delegado de polícia, que, casualmente, passava nas proximidades, vindo de uma pescaria nas lagoas mais próximas.
A autoridade policial lá da Pendência de Baixo, com jurisdição nas três Pendências, era representada por um soldado conhecido por Macaco-homem. Era um preto feio, magrelo, mau pronto, que, nem todos os sentimentos anti-preconceituosos ou o máximo de toda a boa-vontade do mundo inteiro lhe negava a aparência com o bicho primata que lhe emprestara o apelido. Nunca soubemos o seu nome de batismo.
Como eram poucas as atividades de seu ofício, Macaco-homem era dado a caçadas e a pescarias que, além do lazer, propiciava algum recurso que complementava a receita de seu orçamento e o refrigério de sua mesa. Nesse dia, procedente de uma das pescarias que costumava praticar ali nas proximidades de Pendência de Cima, onde as lagoas e os peixes eram mais abundantes, Macaco-homem, ouvindo aquele barulho desusado, inventou de investigar o que estava acontecendo e o porquê daquela gritaria.
Chegou ao local e viu o valentão aos pulos, de facão na mão, cortando galhos do mato e enfrentando, aos gritos, imaginários inimigos, que o delírio da fome os apresentavam mais agressivos. Como Dom Quixote de la Mancha, o lendário personagem do espanhol Miguel de Cervantes (Século XVI) que enfrentava legiões de adversários, apenas existentes em sua ingênua e delirante imaginação, representados pelos moinhos de vento,
Aproximando-se, e assumindo o pleno exercício da autoridade policial, Macaco-homem, que, embora a sua indumentária mais identificatória de pescador que de autoridade, dirigiu-se a Capuxu e gritou, com veemência:
- Teje preso!
Capuxu, ao receber a voz de prisão, e reconhecendo no pescador a digna autoridade policial, soltou o facão e, num gesto mais rebelde que obsceno, estirou o dedo médio da mão direita e batendo com as costas desta na palma da mão esquerda, disse bem alto:
- Taqui que eu vou!
O delegado, para não ficar desfeiteado e não perder sua autoridade, respondeu, no mesmo tom, com a mesma encenação:
- Taqui que eu levo!
Foi essa a primeira e única ocorrência policial registrada, num período de mais de cinqüenta anos, na existência de Pendência de Cima.
Assim como viveu, Capuxu morreu e foi sepultado, - quem sabe onde? – sem a referência sequer de uma cruz no lugar do sepultamento que também não teve identificação.
Registramos cinqüenta anos sem ocorrência policial, porque, retrocedendo no tempo, colhendo informações aqui, acolá, não tivemos como tresandar para além desse período, que, apesar do Campo de Sangue, registrado por Manoel Rodrigues de Melo, e das assombrações feitas aos filhos pelas mães de Pendência de Baixo, pode ultrapassar muito os cinqüenta anos, que aqui registramos.
Capuxu era um cidadão oriundo das bandas de Sacramento, atual município de Ipanguaçu, mais precisamente da Lagoa de Ponta Grande. Chamava-se Manoel e chegou em Pendência de Cima, ainda garoto, com a mãe viúva, conhecida por Maria da Quixabeira, e mais três irmãos chamados João, Lucília e Severina. João sustentava a família, enquanto viveu pois teve falecimento precoce. Lucília era da congregação Mariana e não perdia os eventos religiosos, nas quatro festas do ano, quando se paramentava com aquele vestido branco e a fita azul no pescoço, para as missas e novenários lá na rua, como era por todos denominada a Pendência de Baixo, na Igreja de São João Batista.
Capuxu, carinhosamente tratado assim por sua mãe que o chamava solenemente de Manué, ganhou o honroso apelido por extensão de um ricaço chamado Manoel Capuxu, senhor de terras e comedor das cabocas lá das bandas do sítio Tira Fogo, nas proximidades de Ponta Grande, em Sacramento como já foi dito. Severina, a mais nova, além de vestir-se e higienizar-se mal, tinha alguns parafusos frouxos e não tinha qualquer habilidade profissional que lhe ensejasse o corriqueiro ganha-pão. Tanto assim que, após o desaparecimento dos familiares, que duraram pouco, e de um acasalamento meio desastrado, o único dos três irmãos, apesar da (ou devido a ?) insanidade, passou a viver da generosidade dos vizinhos.
Não tinham outra referência nem ostentavam talento ou conduta que os elevasse a destaque na comunidade. Os minguados recursos que lhes davam sustentação alimentar não tinham a garantia diária, vez que, não encontrando trabalho braçal avulso permanente, Capuxu, cujas mínimas habilidades aliadas a uma coragem igualmente desalentada, não propiciavam ao nosso herói maiores resultados financeiros. E quando, em algumas noites, não muito raras, ouvíamos aquele vozeirão de Capuxu, entoando canções cujas letras e melodias eram apenas e exclusivas de sua lavra, só conhecidas por ele, a vizinhança comentava.
- Ele hoje não teve o que jantar.
E era visto por quem passasse por aquela choupana coberta de palhas e de paredes meio esburacadas, numa varanda ou alpendre rústico, adaptado em um cômodo da frente da casa, embalando-se em sua rede, a cantar, a todo o volume, aquelas canções – quem sabe? – improvisadas ou ditadas pelo estômago vazio, que de tudo é capaz.
Já lá se ia a década de 40. E não eram muito raras as vezes em que Capuxu não tinha o que jantar. Ocorreu, porém um dia em que ele não teve também o que almoçar e, por conta disso, deu-lhe uma crise de revolta, de valentia, de quase desespero. Num ataque de delírio, deu de mão de um facão e, aos gritos, cortava os ramos dos arbustos existentes em frente a sua casa, pulando e cortando, parecendo um louco. Essa ação estimulou algum dos vizinhos a avisar o Delegado de polícia, que, casualmente, passava nas proximidades, vindo de uma pescaria nas lagoas mais próximas.
A autoridade policial lá da Pendência de Baixo, com jurisdição nas três Pendências, era representada por um soldado conhecido por Macaco-homem. Era um preto feio, magrelo, mau pronto, que, nem todos os sentimentos anti-preconceituosos ou o máximo de toda a boa-vontade do mundo inteiro lhe negava a aparência com o bicho primata que lhe emprestara o apelido. Nunca soubemos o seu nome de batismo.
Como eram poucas as atividades de seu ofício, Macaco-homem era dado a caçadas e a pescarias que, além do lazer, propiciava algum recurso que complementava a receita de seu orçamento e o refrigério de sua mesa. Nesse dia, procedente de uma das pescarias que costumava praticar ali nas proximidades de Pendência de Cima, onde as lagoas e os peixes eram mais abundantes, Macaco-homem, ouvindo aquele barulho desusado, inventou de investigar o que estava acontecendo e o porquê daquela gritaria.
Chegou ao local e viu o valentão aos pulos, de facão na mão, cortando galhos do mato e enfrentando, aos gritos, imaginários inimigos, que o delírio da fome os apresentavam mais agressivos. Como Dom Quixote de la Mancha, o lendário personagem do espanhol Miguel de Cervantes (Século XVI) que enfrentava legiões de adversários, apenas existentes em sua ingênua e delirante imaginação, representados pelos moinhos de vento,
Aproximando-se, e assumindo o pleno exercício da autoridade policial, Macaco-homem, que, embora a sua indumentária mais identificatória de pescador que de autoridade, dirigiu-se a Capuxu e gritou, com veemência:
- Teje preso!
Capuxu, ao receber a voz de prisão, e reconhecendo no pescador a digna autoridade policial, soltou o facão e, num gesto mais rebelde que obsceno, estirou o dedo médio da mão direita e batendo com as costas desta na palma da mão esquerda, disse bem alto:
- Taqui que eu vou!
O delegado, para não ficar desfeiteado e não perder sua autoridade, respondeu, no mesmo tom, com a mesma encenação:
- Taqui que eu levo!
Foi essa a primeira e única ocorrência policial registrada, num período de mais de cinqüenta anos, na existência de Pendência de Cima.
Assim como viveu, Capuxu morreu e foi sepultado, - quem sabe onde? – sem a referência sequer de uma cruz no lugar do sepultamento que também não teve identificação.
Registramos cinqüenta anos sem ocorrência policial, porque, retrocedendo no tempo, colhendo informações aqui, acolá, não tivemos como tresandar para além desse período, que, apesar do Campo de Sangue, registrado por Manoel Rodrigues de Melo, e das assombrações feitas aos filhos pelas mães de Pendência de Baixo, pode ultrapassar muito os cinqüenta anos, que aqui registramos.
A Subserviência da Petrobras
A SUBSERVIÊNCIA DA PETROBRAS
Gilberto Freire de Melo
Há muito que a PETROBRAS deixou de ser uma empresa a serviço do Brasil. É mais uma subsidiária ou subordinada ao cartel internacional das distribuidoras de combustíveis do que uma empresa genuinamente brasileira como a pretendem rotular. Haja vista a submissão ao truste internacional que banca os preços dos combustíveis. Por ser uma empresa de origem eminentemente nacional, que se gaba de haver dado autonomia ao consumo brasileiro, deveria ser a dona exclusiva de seu produto, e não vendendo combustíveis, aos brasileiros, pelo preço do mercado exterior.
É inconcebível que se pague, no Brasil, quase R$3,00 por um litro de gasolina brasileira, se, na Venezuela, a gasolina de lá custa apenas R$0,10. Isso mesmo! DEZ CENTAVOS. Por quê? Quando consumíamos gasolina comprada no exterior, isso nos idos 50 e 60, que cachorro era amarrado com lingüiça, tudo bem. Era errado, mas se admitia.
A mídia está aí a divulgar o surgimento de imensos mananciais de petróleo, nas bacias de Campos, de Santos, da Amazônia, de várias partes do território nacional, porém os preços são ditados pelas bolsas de Nova Iorque. O próprio álcool ou etanol, que não pertence às multinacionais e que é produto exclusivo dos agricultores brasileiros, é subordinado aos preços da subserviente Petrobras . Por quê?
O Brasil atual não exerce autonomia sequer sobre o preço do gás natural que é ditado pela Bolívia. Basta uma greve ou protesto popular dos aborígenes bolivianos para que se altere o preço do gás produzido em Guamaré e Alto do Rodrigues. Como, quando e onde poderemos falar em autonomia? Que autonomia é essa se os preços de nossos produtos, exclusivamente nossos, não são ditados por nós?
Por outro lado, alegam, divulgam, publicam que cartel é uma artimanha criminosa. E, como tal, deve ser punida a sua prática. Como, se as distribuidoras de combustíveis multinacionais seguidas pelas cabisbaixas brasileiras (é bom dizer!) a praticam abertamente, como se não tivessem que obedecer às leis do Brasil? Por que o Ministério Público brasileiro, a Polícia Federal aceitam e até dão cobertura às distribuidoras de gasolina que usam e abusam dessa prática criminosa sem qualquer inibição? Se não dão por que não proíbem, pelos menos as “bandeiras BR”?
Gilberto Freire de Melo
Há muito que a PETROBRAS deixou de ser uma empresa a serviço do Brasil. É mais uma subsidiária ou subordinada ao cartel internacional das distribuidoras de combustíveis do que uma empresa genuinamente brasileira como a pretendem rotular. Haja vista a submissão ao truste internacional que banca os preços dos combustíveis. Por ser uma empresa de origem eminentemente nacional, que se gaba de haver dado autonomia ao consumo brasileiro, deveria ser a dona exclusiva de seu produto, e não vendendo combustíveis, aos brasileiros, pelo preço do mercado exterior.
É inconcebível que se pague, no Brasil, quase R$3,00 por um litro de gasolina brasileira, se, na Venezuela, a gasolina de lá custa apenas R$0,10. Isso mesmo! DEZ CENTAVOS. Por quê? Quando consumíamos gasolina comprada no exterior, isso nos idos 50 e 60, que cachorro era amarrado com lingüiça, tudo bem. Era errado, mas se admitia.
A mídia está aí a divulgar o surgimento de imensos mananciais de petróleo, nas bacias de Campos, de Santos, da Amazônia, de várias partes do território nacional, porém os preços são ditados pelas bolsas de Nova Iorque. O próprio álcool ou etanol, que não pertence às multinacionais e que é produto exclusivo dos agricultores brasileiros, é subordinado aos preços da subserviente Petrobras . Por quê?
O Brasil atual não exerce autonomia sequer sobre o preço do gás natural que é ditado pela Bolívia. Basta uma greve ou protesto popular dos aborígenes bolivianos para que se altere o preço do gás produzido em Guamaré e Alto do Rodrigues. Como, quando e onde poderemos falar em autonomia? Que autonomia é essa se os preços de nossos produtos, exclusivamente nossos, não são ditados por nós?
Por outro lado, alegam, divulgam, publicam que cartel é uma artimanha criminosa. E, como tal, deve ser punida a sua prática. Como, se as distribuidoras de combustíveis multinacionais seguidas pelas cabisbaixas brasileiras (é bom dizer!) a praticam abertamente, como se não tivessem que obedecer às leis do Brasil? Por que o Ministério Público brasileiro, a Polícia Federal aceitam e até dão cobertura às distribuidoras de gasolina que usam e abusam dessa prática criminosa sem qualquer inibição? Se não dão por que não proíbem, pelos menos as “bandeiras BR”?
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