sexta-feira, 6 de junho de 2008

O nazi-fascismo do Coronel Maciel

Ainda sob a carapuça que lhe serviu – quem sabe? – de cetro e coroa nos tempos antidemocráticos vividos e sofridos no Brasil, recentemente, o Coronel Maciel taxa de canalhas os generais e atuais comandantes das Forças Armadas do Brasil redemocratizado, que admite impuníveis os seus vômitos latrinófilos. E através desses dejetos verborrágicos fala em dignidade, e cita conceitos de grandeza, pegando carona nas liberalidades da democracia de que desfruta imerecidamente, numa auto-rotulagem de um nazi-fascismo desmemoriável.
Gilberto Freire de Melo – Outro Democrata.

terça-feira, 27 de maio de 2008

INIMIGOS DA CIÊNCIA E DA HUMANIDADE

Gilberto Freire de Melo

Com uma mentalidade que antecede a lendária Arca de Noé, vetustos pregadores religiosos, classificados por Saulo Ramos - o augusto autor de Código da Vida - como "sobreviventes das cavernas e parte da igreja católica que ainda combate Galileu", que, em nada contribuíram nem contribuem para a melhoria da qualifdade de vida da humanidade, fazem ferrenha oposição ao progresso da ciência na hora do anúncio esperançoso da cura, da reparação e recuperação de órgãos do corpo humano que, lesados, danificados, condenam à morte seus infelizes portadores que não contam com outra esperança, sequer a piedade divina.
Tresandando alguns anos ou séculos até, poderíamos fazer lembrar a esses inimigos da ciência e da humanidade - por que não dizer? - que estão perdendo a oportunidade do perdão, que apregoam, de suas culpas ns execução de nove milhões de judeus de seres humanos pela Inquisição e na cremação de seis milhões de judeus - diga-se cristãos - que Hitler levou vivos aos fornos crematórios nazistas, sob a complacência e lava-pmãos do Santo Padre Pio XII, em apoio incontestável ao Eixo - Alemanha, Itália e Japão -, na Segunda Guerra Mundial.
Negociando, hoje, o seu apoio ao uso benéfico, pela ciência, dos milhões de células-tronco embrionárias, que os opositores não sabem justificar sua permanência em frigoríficos industriais, os pretensos defensores da fé teologal bem que poderiam trocar esse apoio por indulgências celestiais - aquelas em que há bem pouco tempo ofereciam a quem optasse por serviços e adesão a um reino divino que pretendiam lhes pertencesse e ainda pretendem lhes pertençam como mercadoria negociável.
Essas indulgências que ofereciam em número crescente, proporcional ao volume do sacrifício ou do empenho dos devotos, bem que poderiam servir-lhes na reconsideração das próprias culpas acumuladas desde a Ordem dos Templários, passando pelas Afrenas Romanas e pela Inquisição que o Vaticano teima em chamar "Santa Inquisição", enquanto não se lhe aplica um puxão de orelhas como aquele de João XXIII que fez extinguir de uma certa oração religiosa a expressão "Pérfidos judeus" que alguém, além de nós, deve lembrar-se, é claro!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

UM RIO FEDERAL


Foto Blog Enchente do Açu

Zelito Coringa (*)

Ele nasce na serra do Bongá divisa da Paraíba com o Ceará, percorre grande parte do torrão paraibano, sendo conhecido por Piranhas-Açu. Porém, quando atravessa o Estado Potiguar, passa a ser chamado simplesmente de Rio Açu. Após a construção da "Barragem Armando Ribeiro Gonçalves" - Inaugurada oficialmente em 1984, tornou-se totalmente perene. Ouviu-se de olhos apitombados as promessas fabulosas do desenvolvimento que chegaria a esta região riquissima. Dado pelo corte da fita inaugural das autoridades e estudiosos proféticos da época. Sob o controle das sangrias haveria financiamentos: Eletrificação com baixos custos, implementos agrícolas, capacitação e direito a muita pabulagem nas pontas de calçadas do puxaquismo, e até amedrontamentos de baleias destruidoras de altares. Fui menino que pinotava de barreira à barreira no leito do rio Olho D'água, mergulhava feito piaba tonta, este um de seus afluentes. Naquela meninice não imaginava que as águas ficassem presas por comportas gigantes e acabasse a diversão dos pobres inocentes como eu. O vírus causador da sua morte lenta, pode ser batizado pelo povo de apoderamento do que é nosso, que migra de terra em terra, principalmente se o solo for rico em nutrientes e as leis ambientais forem dissimuladas. Configura-se nocivo aos que forem defensores desta causa. Num tempo não muito distante atribuiam-se toda a maldade aos justiceiros, bandoleiros e aos cidadãos conscientes. Agora parece tudo invisível aos olhos de muitas autoridades. Não há mais Manoel Torquato com seu sindicato do Garranho, Lampião com o seu bando de saquedores, nem fanatismo, tabus e pudores, nem a ilusão ou razão de nem um idealismo. Tudo é questão de sobrevivência e solidariedade aos que já quebraram seus potes de água ao beberem seus agrotóxicos. E quem daqui pra frente pagará a conta do consumo potável das irrigações gigantes? Será que é somente a população ao escovar os dentes na pia? De quem é o dever de cuidar das nossas fontes? O presidente, o governador, o prefeito, o vereador do povo, o deputado doido, o senador afoito, e os mais defensores do povo? E os meninotes do presente que lavam suas motos e carros no leito do rio, mijando o álcool do último porre? - Não digam que é inverdade, nem atirem a primeira pedra. Isso tudo quem disse foi um cabra metido a doido das bandas dos carnaubais, e eu na escutação da conversa esqueci de gravar seu nome. Façamos valer um novo gesto educativo, reafirmando que somos varzeanos da mesma nascente.

O autor é músico e poeta, natural da Cidade de Carnaubais-RN.

E SE NÃO HOUVESSE MILLÔR?


Salpicados, respingados, quase encharcados pelo sensacionalismo da mídia, abrimos VEJA e vemos, em 23.04.08, em meio aos escândalos, aos crimes hediondos, à impunidade, à torpeza das intenções de perpetuação no poder, em desrespeito à sapientíssima lucidez do presidente do STF, Dr. Gilmar Mendes, a nos ensinar o que é democracia e estado de direito, de degrau em degrau, pousamos na página de Millôr.
E, para gáudio de nossa modesta, quase rasteira eloqüência, deparamo-nos com outro emaranhado de ensinamentos clássicos, distantes, muito distantes do alcance de nossas armadilhas captadoras. Millôr nos saúda com as mais sábias tiradas filosóficas de Santo Agostinho – sim! Isso mesmo! – Aquele Santo Agostinho que, sem aviões, sem OVNIs, sem mísseis, saltou lá dos mais libidinosos charcos senegaleses, apenas com a sabedoria e o “pulo do gato”, para a santificação.
E Millôr, saltando também do cordelista Cuíca que, por ser nosdestino, conterrâneo, portanto, de Catulo da Paixão Cearense, de Zé Lins do Rego e de Renato Caldas, igualmente deveria ser santificado. Saltando Millôr, como dizíamos, a atingir outras celebridades, como Goulde, Nobel, Hearst, Frick, Gurbelkian, Orson Wellis, Murdock, Chateaubrind e Ermírio de Morais (para não se dizer que desprezou os brasileiros), sacando os magos da comunicação e de outros mundos, ainda não santificados, por falta de vagas – quem sabe?
Com toda essa gama de celebridades a nós apresentados informalmente, lá no final, em roda-pé do melhor cursivo, Millôr ainda nos convoca a assistir a um pega de Hearst com Orson Wellis, sob arbitragem de Freud e referências especialmente libidinosas com que Herast nos desacata, exibindo a desrecatada, porém “pudenda periquita de sua eterna amante Marion Davies”.
Nós, inebriados, abestalhados, perguntamos: E SE NÃO HOUVESSE MILLÔR?

Gilberto Freire de Melo
Fone 084. 3234.8881
E-mail: gefemelo@ig.com.br

O GUARDIÃO DO RIO

HOMENAGEM EM VIDA
AO POETA ANTÔNIO FRANCISCO -


Nas Sete Linhas do Cordel Xilogravado

Zelito Coringa (*)


Quando a viola atiça
O entrançado das rimas
E uns três contos de réis
Ofertados para as primas
Com seus trejeitos tonais
Pelos arpejos risais
No jardim das pantomimas

E o girassol dos versos
Se abrindo de bondade
Na janela do improviso
Com toda velocidade
Faz voar o tamborete
Onde o pé de parede
É palco da felicidade

Nessa hora os presentes
Batendo palmas de mão
E todo bem que existe
Salta do seu coração
Tirando da inteligencia
Na rapidez da urgencia
Montado no seu bordão

Feito a cigarra e a Jia
Rezando sua novena
Pedindo ao pai do céu
Gotas de água serena
E quase morto de sede
O sertão chora na rede
Nos braços da Quarentena

E a familia se ofende
Da tirania da fome
Os filhos de Zé Ninguém
Não vou dizer sobrenome
Magricelas e sambudos
Foram buscar nos estudos
O pincel que pinta o nome

Quando alguém na multidão
Nomeiam de vagabundo
Por viver de praça em praça
Com uma viola sem fundo
Tocando a simplicidade
Sem pensar em vaidade
Livre das grades do mundo

Certamente é esta a sina
Do cantador de repente
Que mesmo sendo sofrida
Ofereçe de presente
A sua face pintada
Sempre pode ser tocada
Por qualquer mão inocente

Por nome Antôi de Nira
Lá da lagoa do mato
Vivo na face do riso
Brincando no seu regato
Nas estótrias fabulosas
Do livro das primorosas
Que ganhei depois de um trato

Desse conto estridente
Tocado em Si bemol
Dentro das linhas do mote
No caderno do arrebol
Fazendo a terra chover
Botando pra derreter
As sete brasas do sol

Quando o Máscara de Prego
Filho do rei invejoso
Tomou o canto da feira
Pensando ser fabuloso
Inventou falso talento
Fabricando com fermento
Asas do misterioso

Sem a leveza das penas
E as cores da verdade
Rimando pé de besteira
Desfazendo a humildade
Por mais de dez não me toque
Se maquiou no retoque
Com o batom da falsidade

Pensando ser Zé Limeira
Deus afamado no verso
Mais uma pedra certeira
Dum raio fez o reverso
Esticada rente ao gancho
E por entre o garrancho
Acertou o vil perverso

E zuniu no pé do ouvido
Daquele mente de sarro
A pedra da baladeira
Feita di’um torrão de barro
Bateu no peste traquino
Que partiu pisando fino
No cuspe do seu escarro

Foi simbora o descarado
Soltando o matulão
Sumindo de arrebate
De pés descalço no chão
Numa ponta de calçada
Vi meu Riso da risada
Mostrando seu chinelão

E falando da infância
Repleto de alegria
Sem pular fora do tempo
No compasso repetia
Que estava morto seu ego
Foi-se o Máscara de prego
Vencido na poesia

Já raiando quase o dia
Recitou com mais apuro
Dizendo para a platéia
Lixo não é pé de muro
O verde em toda retina
É a terra nordestina
Em nossa visão de futuro

*Trechos do cordel (Inédito) - O GUARDIÃO DO RISO - Homenagem em Vida ao Poeta Antonio Francisco
Autor: Zelito Coringa – Multi Instrumentista,Compositor e Poeta – Poti-varzeano de Carnaubais/RN
Zelittocoringa@hotmail.com – 84-9999-7517 / 9117-2530

A SANTA LUZIA DO MEU TEMPO




Gilberto Freire de Melo (*)

Conheci-a quando ainda se chamava Poço da Lavagem, passando por Santa Luzia e hoje Carnaubais. Ainda bem que não teve, como tantas, o indigesto apelido de "Senador Fulano", "General Sicrano" e coisas assim, sem qualquer identificação com seus costumes, com suas origens, com sua paisagem, com sua cultura nem com o respeito merecido por seu povo.
Vi e freqüentei as gloriosas e inesquecíveis festas de Santa Luzia. Ficava à margem esquerda do rio Açu que era transposto, quando seco, tudo bem, mas, quando cheio, em toda a sua plenitude, em embarcações rústicas, ou a nado, sempre em companhia de tipos e de pessoas com características próprias e insubstituíveis que acorriam aos primeiros dobres festivos do sino da padroeira, convidando a população local e de outras comunidades, mesmo distantes, para os festejos que duravam semanas inteiras, num ritual, ao mesmo tempo, místico e profano, onde se acotovelavam os artesãos, as doceiras, os jogadores, os boêmios, as beatas e as quengas num redemoinho fervilhante de alegria e de festa viva.
O carrossel, sem qualquer artifício elétrico ou eletrônico, era impulsionado por braços humanos que faziam girar, rodar, correr num frenesi alucinante e contagioso, animado pelo conjunto musical de Mariano ou de Zé Menininho, os maiores tocadores de concertina da região, que não apenas convidava, mas obrigava homens, mulheres e crianças à participação e à exploração de suas funções até porque teriam, no final, assunto para os comentários na ociosidade dos alpendres e nos intervalos das tarefas do corte de palha, à sombra magnífica e refrescante das carnaubeiras.
As doceiras - que ornamentavam as ruas com suas mesas coloridas, lindas, cheias de alfenim, cocadas, doce-seco, bolo-de-milho, pé-de-moleque, doce-de-coco, raiva, sequilho, "gelés" com guarnições de toalhas brancas, alvas, limpas e asseadas, e tantas outras iguarias que só a lembrança nos enche a boca d’água.
As gengibirras e os aluás gostosos, engarrafados para venda a retalho, que, mesmo sem o gelo, um produto inexistente, refestelavam o pessoal participante, num consumo guloso em que se salientavam os sabores, o colorido e a qualidade da fabricação.
As mesas apinhadas de cestinhas coloridas, de bonecas de pano, de brinquedos infantis produzidos num artesanato multicor, mais humano e artístico que comercial, atraíam não apenas as crianças, mas também os rapazes e as moças que, de mãos dadas, “brincando com o coração”, percorriam as imensas filas de mesas recheadas de peças do exclusivo e inigualado artesanato local.
A jogatina que não era proibida e em que se destacavam os mais espertos, os artistas das cartas e dos dados - os bozós; a supremacia astuciosa de Tributino na manipulação do baralho viciado e do "caipira" em copos de vidro, onde fazia valer a inteligência e a aptidão insuperáveis, sempre ganhando de nós, os "trouxas", como nos apelidava.
Os sambas, as batucadas, os cocos de roda e os "fobós" tocados por Mariano ou Zé Menininho atravessavam a noite e as madrugadas, num bamboleio entremeado de requebros e de sapateado, numa esfregação alucinante e sensual, num remelexo indescritível e emocionante, apenas entendido por aqueles que participavam e que amanheciam de olhos grudados de poeira do piso de barro batido e da fumaça das lamparinas ou piracas iluminadoras do ambiente.
As serestas em que se distinguiam o violão de Pedro Lélis, o cavaquinho de Francisquinho Nascimento, o pandeiro de Manoel Galo e a voz de Anterino, às vezes acompanhados do saxofone de Mestre Avelino, o mais consagrado maestro da região, digno de registro nos anais da história, hoje apenas lembrado em poucas memórias que fatalmente desaparecerão.
A banda-de-música executando alvoradas memoráveis, percorrendo, ao quebrar da barra, as poucas ruas do povoado, que acordava ao som de valsas como "Royal Cinema" e dobrados como "Cisne Branco", inesquecidos por quem conviveu com esses festejos, e invejáveis àqueles que não os conheceram, nunca mais repetidos, até porque a Santa Luzia do meu tempo foi cruel e impiedosamente implodida pela violência das enchentes do rio que lhe dava razão de existir. E a saudade, como dói!

Texto extraído do Livro do autor que será lançado Brevemente

sábado, 19 de abril de 2008

A NASCENÇA DO ZÉ MOSQUITO


Zelito Coringa (*) Autoral

ANTES DO PARTO
Os raios da estrela azul do ser criativo refletirão sobre os meus pequeninos pés. Permita-me ó Grande Musa do universo ter a proteção e a benção para que seja verdadeira a minha voz. Sinto-me guerreiro enfrentando o desconhecido sem a desdita de qualquer fracasso. Não recusarei o primeiro passo, nem a entonação do primeiro grito, no palco vigilante das descobertas verei a cor cintilante do bastão invisível dos empecilhos e não me renderei ao que enxergar com a vista. Jamais me entregarei ao frio de qualquer indiferença. Aqueço-me na tua chama e com gentileza o inimigo da vida me entregará suas armas. Sem qualquer traço de vaidade agradeço a tua presença nesta bolsa de líguido, e sempre. Lanço-me na correnteza e volto de nado aos teus agrados. E nada mais. Quando o milagre da chegada acontecer em meus olhos a tua face estará refletida, e mais jovem em meu coração de menino. Cuide também do meu ser artista, por ser mais senssível que o resto de mim.
Não demarque o espaço, nem prenda-o num fio do espaço. Eu serei da terra, e vençerei sem apego à vitória.
De meio em meio tom agarrado ao instrumento levarei cantigas e pronto.

O SIMPLES NASCEDOURO
Uma forte chuva trazida nas canelas do El Ninõ fazia correr o Rio Piranhas em correntezas fabulosas. O tempo se fechava vindo das bandas do lagamar. Na vista dos curiosos riscavam trezentos curiscos no céu vindos na direção do cariri. - Ói vai ser grande a cheia, bem que disse Zé Botinha, ano de quatro é na certeza, e padim S. José nunca faiou.
A madrugada adentrava nos gemidos das dores daquela mãe nordestina, esperançosa carregava no buço magrelo uma criança desnutrida, que a todo custo queria chegar ao mundo antes da hora. Os trovões bumbavam feito toque de zabumba nos forrós da tabatinga, raios incessantes adentravam pelos buracos da parede clareando a camarinha da gestante indigente. Protegida por uma ruma de santos esprimidos no espelho da penteadeira, iluminada pelos lampejos que fortemente refletiam e, sob os abanos do vento deixavam à vista o mobiliário dos seus aposentos no sincnonismo dos trovões e relampagos ligeiros. Porém, um cotoco de vela aceso já no fim do pavio lamentando a falta de gás do candeeiro, que iluminava piedosamente uma bacia de ágata com água morna. A face do Cristo refletida em Nossa Senhora do bom parto ampliava a luz dando a divina protenção ao ambiente. O suor pingando no rosto da coitadinha, enquanto o pai estatelado na parede da cozinha ruminando a sua fraqueza de homem bruto. Mas, a fé que em seu peito não batucava revestia-se de medo agoniando o seu juízo apontando de fraqueza. Por toda a vizinhança Jogavam-se as cinzas benzidas das fogueiras de São João para acalmar a ventania, e o rosário abençoado por um Bispo da redondeza pregava-se atrás da porta de entrada. Mãe Joana Bornoca entoava suas rezas do seu trançado bento com palha de carnaubeira aliviando a tempestade. Entre o compasso incessante dos pingos que açoitavam o telhado gotejante do casebre e do berreiro dos bodes medrosos da chuva; Ouve-se ali o choro de um bichin, que de olho aregalado escutava com felicidade a algazarra também pássaros. dos grilhos, dos sapos e do converseiro comprido dos mais curiosos. O pai que aparava água de beber na bica nem deu fé do trabalho de parto mulher. Ele um cabôco ajumentado de vaqueirice, puxador das entranhas de vacas e currais de bezerros ficou avamelhado de susto.
Bateu logo um trimilique nos cambito das pernas, uma gastura na boca do estomago, fraquejou sentindo-se um desgraçado e covarde, num chegou nem perto, fez que estava na biqueira, contando as milimétricas gotas da chuva que caiam sobre a sua plantação de sonhos e algodão verde-mocó. Enchendo o pote inté a boca e tampando os ouvidos no primeiro esperneio e gritos de socorro, chega a parteira montada numa jumenta cheia de troço. Tirando dos cacoás seu maquinário parturiente. Ela Dona Zulmira Pereira, desapeia com toda autoridade dando vivas e obrigando ao dono da casa, ordenando-lhe a segurar as pernas e agarrar nas asas da segonha. E num ouve acordo não. Esse era o trato, no serviço gratuito da parteira tinha que ter o acampamento do chefe da familia, para o sujeito sentir a dor do nascimento, ser mais amorroso com o rsto da criadagem, se não seria tachado de homem frouxo. Essa brenda muitos se recusaram, apesar de manterem a fama de machões. Enquanto os filhos desciam de costela abaixo, Zeca Pai do Mato num chegou nem perto. Espiava sempre da brecha, e demorava dias a vê os olhos apitombados dos seus finhin. Foi assim que nasci e mamãe contou pra mim.


Trecho do Livro Inédito "A Nascença do Zé Mosquito

(*) O Autor é Natural de Carnaubais, Músico, Poeta e Mantém um caso de Amor com a Natureza